Saltar para o conteúdo principal Mapa do Site Ajuda de navegação e acessibilidade Web

BELÉM Demolir para Encenar

16 Fevereiro 2020 - 30 Dezembro 2020

Detalhes

Exposição | Atividades

Até 30 de Dezembro de 2020

Partilhar nas redes sociais

Sobre o evento

Em 1940, a Exposição do Mundo Português e Belém pareciam um só. O lugar ajudava a contar a história, gloriosa, do passado da nação: Mosteiro dos Jerónimos, rio Tejo, Praça Afonso de Albuquerque, Torre de Belém. A vasta dimensão do certame tomou conta do bairro e Belém, para além da Exposição, parecia não existir.

O Estado Novo anunciava admiráveis transformações naqueles terrenos vazios, disponíveis para receber tão grande festa. Mas que lugar era este, antes de 1940? E em que lugar se tornou, finda a Exposição? Qual o papel deste evento no percurso urbano de Belém?

Para lá dos terrenos de facto incultos, o bairro possuía um núcleo urbano denso, variado, atractivo. Vivia-se e comerciava-se em ruas, travessas e largos consolidados ao longo dos séculos, em crescendo de urbanidade, desde que o Infante D. Henrique ali mandara construir uma primeira igreja, a de Santa Maria de Belém. Este núcleo urbano e popular complementava o carácter erudito e nobre conferido pelas quintas e palácios em redor – como o Palácio da Praia (onde hoje é o Centro Cultural de Belém), demolido apenas em 1962, ou o Palácio de Belém, transformado em residência oficial da Presidência da República, depois de 1910.

A preparação da Exposição do Mundo Português implicou um número significativo de demolições, que amputou o bairro em muitas das suas valências: estrutura urbana, habitações, espaços comerciais, lugares de sociabilidade, mercado e mesmo edifícios patrimonialmente relevantes.

Depois do certame, e durante décadas, o vazio. Hoje, no início do século XXI, a Exposição do Mundo Português permanece no lugar, em estruturas físicas que podemos ver e tocar, mas sobretudo de forma incorpórea.

 

BELÉM: DEMOLIR PARA ENCENAR acompanha este percurso. Trata-se de uma exposição comissariada por Pedro Rito Nobre, que nos vai levar numa viagem pelas memórias ainda existentes no lugar e por outras, que foram sendo apagadas. “Com esta exposição espero que o público (em geral, e sobretudo o que conhece a Belém actual, incluindo os moradores) ganhe noção da forma como Belém evoluiu e se transformou ao longo do tempo. Habituamo-nos aos lugares como os conhecemos e, por vezes, não questionamos o que ali existia antes, ou os motivos pelos quais foram transformados. Muitos dos espaços que hoje atravessamos são herdeiros directos da Exposição do Mundo Português e alguns elementos quase surpreendentes ou desajustados são, afinal, restos daquele certame. Para quem trabalha na organização dos espaços – desde os decisores políticos aos arquitectos e urbanistas – é mais um contributo para a reflexão sobre as consequências das opções de projecto: cada construção, cada demolição, cada atribuição de uso, tem consequências por vezes maiores do que imaginamos inicialmente”, diz Pedro Rito Nobre.

 

 

Pedro Rito Nobre (Lisboa, 1980)

Licenciado em Arquitectura pela Universidade Moderna de Lisboa, em 2004, iniciou actividade profissional na Unidade de Projecto de Alfama, gabinete da Câmara Municipal de Lisboa com o propósito da reabilitação, latu sensu, daquele bairro.

Desde 2006, desenvolve a actividade profissional nas várias fases de projecto e obra, até ao momento presente em que assume a direcção técnica e criativa da Esfera de Imagens – simultaneamente atelier de arquitectura e empresa de construção / reabilitação.

Estes anos de experiência profissional foram enriquecidos com experiências internacionais, tendo permanecido em Espanha (Sevilha) e Moçambique (Maputo e Pemba) para o desenvolvimento de projectos e acompanhamento de obras.

O interesse pelo universo da reabilitação patrimonial, e pela reflexão sobre a ideia de património, que iniciou logo no decurso da licenciatura, conduziu-o ao Mestrado em Património, variante Património Urbano, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, cuja dissertação de mestrado, defendeu em Janeiro de 2011.

 

Consulte aqui o programa paralelo em actualização

(Fotografia: Rua Vieira Portuense, com o Mercado de Belém à esquerda, 1939. Eduardo Portugal (1900-1958). POR056643. Arquivo Municipal de Lisboa)